quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Para o que pretendo aqui, ela não é um conhecimento, ciência, ou literatura, mas uma atitude de busca, encontrada nos grandes pensadores de nossa história.

Como atitude ela é um comportamento da pessoa frente a uma situação, fenômeno, objeto.

Nesse eterno retorno que ela vive é preciso recolocar a pergunta feita em algum momento por cada um de nós, o que é a Filosofia?

É um movimento de procura pelo diferente, muitas vezes inesperado, mesmo nas coisas aparentemente mais óbvias, próximas e certas.

Mas não é qualquer busca, não é como procurar um objeto que você perdeu, ou tentar lembrar uma informação para uma prova.

Nesse sentido, a filosofia é uma atitude libertadora porque nos livra da prisão do que sabemos e, nesse caso, é sempre um desaprender.

Ao contrário do que muitas vezes é feito em nome dela, a Filosofia não é teoria, muito embora os filósofos usem a teoria para modificar o nosso pensamento e a nossa ação. A teoria e a prática são efeitos necessários da Filosofia.

Outro efeito da Filosofia é a metamorfose: ela possibilita a transformação do que se é em algo melhor, o que demanda um trabalho sobre si mesmo que pode levar a vida toda.

Na antiguidade grega, o filósofo Sócrates dizia que o si mesmo sobre o qual devemos nos ocupar era a nossa alma, nosso interior, hoje conhecido por subjetividade.

Sem aprofundar muito, a subjetividade é o conjunto de pensamentos, sentimentos, desejos, comportamentos e que estão em constante mudança.
Entretanto hoje é necessário integrar o corpo ao si mesmo. É sobre o corpo que se exercem todas as ações que nos oprimem.

O que fazemos com o nosso corpo e o quanto ele é integrado com a nossa subjetividade deve ser um preocupação constante de quem pretende se libertar das consequências que o dualismo corpo/mente e outros equivalentes nos impõem.

Outra coisa interessante na Filosofia é que ela tem um gosto um tanto amargo, que só com a experiência se aprende a apreciar. Em um primeiro momento dá vontade de cuspi-la, mas com o tempo percebemos o quanto ela é saborosa. Nós precisamos de tempo para degustar a Filosofia.

Mas o tempo só não basta, existem pessoas que bebem Filosofia todo dia e não conseguem sentir o seu paladar e muito menos dirigi-la. O que lhes falta então?

A parábola abaixo pode ajudar a pensar isso:

Certa vez um jardineiro construiu um belo jardim, com plantas e flores belíssimas. Com o tempo as plantas cresceram e se multiplicaram e o jardim começou a atrair insetos. Como o jardineiro reconhecia a importância do micro-ecossistema que fez, respeitava também a vida dos insetos. Por um animal em especial ele tinha uma grande admiração: a lagarta. Ele admirava a maneira como as lagartas movimentavam aquele corpo desengonçado pelos ramos das plantas com a única preocupação de se alimentar, crescendo e guardando energia para algo que iria acontecer em breve e que elas não sabiam. Um dia enquanto passeava pelo jardim e disse a uma delas:

- De todos os animais do meu jardim você é a que mais me impressiona, é incrível a sua força de vontade para se movimentar procurando alimento.

Estou muito satisfeito com você.

A lagarta em especial ficou muito satisfeita consigo mesmo e passou a se admirar e valorizar. Um dia o jardineiro estava passeando pelo jardim viu que ele estava ainda mais colorido. Dezenas de borboletas voavam pelas flores e enquanto se alimentavam do néctar, produziam a polinização, recompensando as plantas de que tinham se alimentado com a fecundação. Mas olhando um pouco mais pelos galhos das plantas ele notou que uma delas continuava como lagarta.

Vários dias se passaram e nada da lagarta fazer o casulo. Ele ficou muito preocupado e resolveu perguntar para ela:

- O que aconteceu? Todas as suas irmãs se transformaram em belas borboletas. Por que você continua como lagarta?

Ao que ela respondeu:

-Eu senti uma vontade enorme de construir um casulo, de mudar de vida, de ganhar os ares. Mas você estava tão satisfeito comigo desse jeito que resolvi ficar assim mesma.

Depois desse dia o jardineiro passou a tomar muito cuidado com os elogios.

A filosofia como metamorfose de si mesmo só é possível quando não estamos satisfeitos, quando nos sentimos incomodados. É esse o seu gosto amargo, seu desconforto e estranhamento, mas que pode conduzir a uma vida mais bela, transformadora, significativa e livre.

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 por ese motivo devemos basicamente, saber tudo o que fazemos e tudo que falamos, pois querendo ou nao sempre iremos precisar daquela pessoa um dia qualuqer !

victor oliveira'

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